Já alguma vez se sentou num lugar qualquer e se maravilhou com o silêncio à
sua volta? Todos estamos intensamente conscientes do som porque é tão invulgar
não haver barulho. Há sempre o zunido das máquinas, o ruído surdo do trânsito,
de um avião, ou de pessoas a falarem. A moderna poluição sonora é subtil,
imperceptível e mais perigosa do que nós pensamos.
A exposição à maioria dos barulhos causa irritação, stresse, e pode ter como
resultado a perda permanente da audição, assim como outros problemas de saúde. É
difícil eliminar o barulho. Muitas vezes, tentamos abafar o ruído ambiental que
nos incomoda, com música. Se se gosta da música, é normal que o resultado seja
menos problemas físicos.
Sabemos que as ondas cerebrais são modificadas pelos sons. As ondas cerebrais
beta, as que estão entre os 14 e os 20 hertz, são as mais comuns. Alcançamos uma
concentração relaxada ou uma consciência lúcida quando as ondas alfa, entre os 8
e os 13 hertz, estão presentes. A música com cerca de 60 batidas por minuto –
particularmente a de Mozart, Brahms e Bach – mudam a actividade cerebral de beta
para as ondas alfa, de uma atenção mais elevada.
É chamado o Efeito Mozart. Este tipo de música reduz o stresse e aumenta a
concentração. Um estudo feito na Inglaterra constatou que os estudantes
alcançavam mais 10 pontos num teste de QI depois de ouvirem Mozart, quando
comparados com os expostos ao silêncio, barulho branco ou a outra música. (O
barulho branco é apenas um barulho normal baixo. Os exemplos são a estática do
rádio ou a água corrente).
Os investigadores sugerem que respondemos à música porque o nosso corpo é
rítmico. A nossa respiração, batimento cardíaco, e muitas outras funções do
corpo têm um ritmo intrínseco.
O aproveitamento comercial da música Alguma música revigora as pessoas, enquanto outras melodias as acalmam. Há
composições que podem fazer-nos sentir sonolentos ou manter-nos acordados. Os
supermercados, os centros comerciais e até os organizadores de eventos têm
utilizado a música para moldar o comportamento humano. A música pode ser usada
para fazer com que as pessoas andem mais devagar ou mais depressa, para as
incentivar a fazer compras durante mais tempo, para as persuadir a agir, ou
ajudá-las a relaxar.
A influência da música Outras pesquisas recentes ligam a exposição à música ao melhoramento de
capacidades mentais. Einstein tocava violino e acreditava que isso ajudava o seu
subconsciente a resolver problemas. Muitas pessoas que sofrem de insónia sentem
que a música de Bach as ajuda. A música popular alegre dá energia e resistência.
Estes resultados não são novos.
Mas, estar expostos a música de que não se gosta pode ter efeitos negativos,
incluindo tensão arterial elevada e stresse. A maior parte dos adultos refere-se
às músicas que os adolescentes ouvem, como sendo barulho. Os adolescentes, por
sua vez, acham o mesmo da música de outras pessoas. Há a história de um grande
grupo de adolescentes que se reunia diariamente à frente de uma loja de
conveniência. Não estavam a fazer nada de errado, mas a sua presença irritava o
dono da loja e os seus clientes. O dono teve uma ideia. Ligou a sua aparelhagem
a colunas fora de loja e passou a transmitir música clássica. Pouco depois, os
adolescentes desapareceram.
Martin Gardiner, da Universidade de Brown, estudou o relacionamento entre os
registos de detenções de adolescentes e o envolvimento destes com a música.
Gardiner chegou à conclusão de que quanto mais o adolescente estava envolvido
com a música, menos eram os registos das detenções. Era menos provável os
adolescentes que estudam música meterem-se em problemas, do que aqueles que não
a estudavam. E os que tocavam um instrumento, eram membros de uma banda ou de um
coro, tinham, ainda, menos problemas com a lei.
As lojas de vendas ao público descobriram que as vendas aumentam quando é tocada
música fácil de ouvir. Aparentemente, esse tipo de música acalma os compradores
e incentiva-os a passarem mais tempo na loja.
Música leve e tranquila tende a ajudar a maioria das pessoas a concentrarem-se
durante mais tempo, e melhora a sua capacidade de memorizar factos. Contudo,
para algumas pessoas esta música tem o efeito contrário. Ela distrai e perturba
as que são mais analíticas ou inibidas do que o normal. Ouça vários tipos de
música para determinar o seu efeito em si.
O ritmo da música religiosa induz a uma sensação de paz e ajuda a suportar a dor
física e emocional. No outro extremo do espectro, a música de heavy metal, rap
ou marcial excita o sistema nervoso e incita as pessoas a acções dinâmicas ou a
comportamentos agressivos. Não é de admirar que os pilotos da Guerra do Golfo
ouvissem gravações de música heavy metal antes de se lançarem nos seus voos
ofensivos na batalha.
A música e a saúde Estão a ser realizados mais estudos para determinar se a música pode curar ou
ajudar em problemas emocionais e pessoas com traumatismos cerebrais ou doença de
Alzheimer.
Há séculos que também são conhecidos os efeitos dos sons sobre outros aspectos
da Natureza. No Sul da Índia, acredita-se que o suave zumbido de insectos
garante uma saudável germinação da cana-de-açúcar. Experiências cuidadosamente
levadas a efeito provaram que as plantas crescem mais depressa se se transmitir
música, especialmente tons de baixa frequência entre os 100 e os 600 hertz, para
os campos ou estufas. É sabido que os animais de quinta e os animais domésticos
respondem à música.
O nosso batimento cardíaco tem a tendência de se sincronizar com qualquer
pulsação ambiental. Há uma certa preocupação com as mudanças que o ritmo pouco
natural da moderna música rap possam trazer ao corpo, às emoções e até ao
subconsciente do ouvinte. Os efeitos a longo prazo ainda são desconhecidos.
A música irá influenciar a nossa saúde e o nosso comportamento. Ao conhecermos
os seus efeitos, poderemos usá-la para nosso benefício.&
Roger H. Meyer
Repórter especializado em
assuntos de saúde
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