SAÚDE/ S&L AGOSTO 2009

Esta é a recomendação de um novo estudo britânico que seguiu, durante mais de uma década, o estilo de vida de 20 000 pessoas.
Os investigadores descobriram que os que não seguiram nenhuma das recomendações, tiveram quatro vezes mais probabilidades de morrer do que os que o fizeram.
E não importou se o indivíduo era rico ou pobre, salientam os investigadores.
Existe evidência científica esmagadora de que os estilos de vida marcados pela alimentação, o exercício, o consumo de álcool e o tabagismo, têm um grande efeito na saúde e na longevidade do indivíduo.
Mas, segundo o estudo, publicado na revista da Biblioteca Pública de Ciências, esta é a primeira vez que se analisa o efeito combinado destas quatro formas de comportamento.
“Muita gente da população em geral convive com estes factores de risco em distintos níveis de intensidade”, disse, à BBC-Ciência, o Dr. Gonzalo Valdivia, chefe do Departamento de Saúde Pública da Universidade Católica do Chile. “Mas este estudo identifica o comportamento destes factores de risco de forma combinada, que é como, realmente, vive a grande maioria da população”, continua o especialista.

Viver mais
Para analisar este efeito combinado, os investigadores da Universidade de Cambridge e o Conselho de Investigação Médica seguiram um registo de 20 000 pessoas do Norte de Inglaterra, entre 1993 e 2006.
Nenhum dos participantes, entre os 45 e os 79 anos, sofria de cancro ou de doenças cardiovasculares ao iniciar o estudo.
E, embora a maioria fosse de raça branca, todos provinham de diferentes classes sociais.
Entre 1993 e 1997, os participantes tinham de responder a um questionário em que lhes era dado um ponto por cada um dos quatro factores.
Estes eram: não fuma neste momento, consome entre meio copo a sete copos de vinho (ou o equivalente)* por semana, come cinco peças de frutas e verduras por dia e não tem uma vida sedentária.
Esta última categoria é definida como ter uma ocupação sedentária e fazer meia hora de exercício físico por dia, ou ter um trabalho que não seja sedentário, como o de enfermeira ou canalizador.
As mortes entre os participantes foram registadas até ao fim do estudo, em 2006.
Os resultados mostram que num período médio de onze anos, as pessoas com pontuação zero, ou seja, aqueles que não seguiram nenhum dos quatro estilos de vida, tiveram quatro vezes mais probabilidade de ter morrido do que aqueles que o fizeram.
E as pessoas com uma pontuação zero tinham o mesmo risco de morte que uma pessoa catorze anos mais velha mas com uma pontuação de quatro pontos.
Segundo os investigadores, nem a classe social, nem o índice de massa corporal (IMC) do indivíduo tiveram importância no resultado.
“Isto é importante”, afirma o Dr. Valdivia, “porque em estudos anteriores tinha-se visto que os factores de risco variavam dependendo do nível sócio-económico e das características nutricionais da pessoa.”
“E este estudo demonstra que nem o nível sócio-económico, nem a estrutura corporal, têm um peso significativo quando os factores de risco actuam conjuntamente” ,acrescenta.

Coração
Onde surgiram as diferenças mais marcantes deste estudo foi nas mortes atribuídas a doenças cardiovasculares.
Os indivíduos com zero pontos tiveram cinco vezes mais possibilidades de sofrer estes acidentes do que os indivíduos com quatro pontos.
Mas também se encontrou uma relação entre a pontuação e as mortes por cancro. Os investigadores observaram que os que desenvolviam esta doença tiveram um prognóstico melhor quanto mais alta era a pontuação.
“Da perspectiva dos países em desenvolvimento, o estudo ajudará a conhecer melhor a história destas doenças em ambientes onde o consumo de tabaco é maior ou a alimentação é diferente”, assinala o especialista em saúde pública.
Os autores planeiam levar a cabo mais estudos para confirmar os resultados.
Mas afirmam que este estudo oferece clara evidência de que estas mudanças simples no estilo de vida podem ter uma marcante melhoria na saúde das pessoas adultas e nas de idade avançada.
“A ideia que perseguimos é a de prolongar a vida, mas prolongar, também, a qualidade de vida com maiores benefícios na saúde”, afirma o Dr. Valdivia.
“Daí a importância que este estudo tem, na medida em que pode orientar políticas de prevenção especificamente dirigidas a adultos jovens para modificar estes factores combinados de risco”, acrescenta.

in Salud Cuatro
Baseado num estudo realizado na Universidade de Cambridge (Reino Unido)