COLUNA DA EDUCAÇÃO / S&L AGOSTO 2009

Educação à Distância

Ilda Cardoso
Professora do Quadro de Nomeação Definitiva

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O Adolescente e o Álcool

A Júlia* entrou no bar que ficava perto da escola e, com os olhos, procurou colegas. Viu um grupo conhecido, dirigiu-se para lá e entabulou conversa.
Invariavelmente a sua conversa caía sempre sobre bebida e, naquele dia, picada pelos outros adolescentes, apostou que conseguia beber uma garrafa de uísque inteira… e assim fez. Depois dirigiu-se para a escola e entrou na sala de aula.
A professora depressa se apercebeu do comportamento estranho da aluna, que ria descontrolada e dizia coisas sem nexo.
Foi mandada ao gabinete do Conselho Executivo onde, por mero acaso, se encontrava um paramédico que logo identificou o problema e ali lhe administrou os primeiros socorros. Embora tenha ficado internada no Hospital durante alguns dias, aqueles primeiros socorros livraram-na de um coma alcoólico e da possível morte.
Este não é um caso raro. Porque é que os adolescentes bebem? Cada vez se nos deparam mais acidentes destes, raramente tão graves, mas sempre com consequências nefastas para a saúde dos adolescentes.
Eles bebem pelas mais diversas razões: por tédio, para desinibir, para serem aceites num determinado grupo, porque se sentem angustiados ou apenas por pura rebeldia. Muitos adolescentes acham que consumir bebidas alcoólicas os torna mais adultos, e nem percebem os perigos: dependência do álcool, alterações no comportamento com tendência para a agressividade, dificuldades de comunicação, acidentes de viação e também outros a nível cognitivo.
Actualmente há bebidas preparadas com sumos de fruta e álcool que, apesar do seu aspecto inofensivo, criam dependência. Estas são cada vez mais populares entre as camadas jovens que, quando se juntam, já não conseguem divertir-se de forma saudável.
Esteja, pois, atento aos sinais que o seu filho adolescente lhe envia relativamente ao risco de uso e abuso de álcool: quando chega a casa, o seu hálito cheira a álcool? Apresenta comportamentos anormais, eufóricos ou agressivos? Mudou recentemente de amigos? Sai muito à noite ou ao fim-de-semana?
Se sentir que existe algo de estranho, não hesite em ter uma conversa franca com ele/a sobre este assunto. Pode ser que consiga evitar muitos problemas futuros.
Como prevenção, lembre-se que “o consumo seguro é o consumo nulo”, como dizia um artigo bem documentado da S.& L. de Abril, sobretudo se este for extensível a toda a família.

* Nome fictício de facto real.