FILOSOFIA DE VIDA/ S&L AGOSTO 2009

A alegria de “Abrir mão”

Leia isto se precisar de dar – ou de receber – perdão.

Quando eu era criança, ofereceram-me um martelo de pena esférica. Comecei logo a praticar o seu uso martelando o móvel da televisão que se encontrava na sala de visitas. Quando a minha mãe deu por ela, eu já tinha acabado a minha “obra de arte”. Ela, claro está, considerou-a como uma “obra de destruição”.
Quando vi o olhar de preocupação no seu rosto, disse-lhe que não se preocupasse. Eu ia pegar no mesmo martelo e desamolgar as amolgadelas que fizera.
Depois de não ter conseguido rectificar o meu erro, a minha mãe tinha duas opções. Podia expulsar-me de casa, acompanhado do meu martelo (o que teria sido a escolha mais acertada para o resto do nosso mobiliário). Felizmente para mim, escolheu perdoar-me.
Agora diga-me: o seu perdão deu-me luz verde para continuar a martelar outros objectos da casa de forma a acabar o projecto de decoração de interiores que eu tinha começado? Nem pensar. Significava, pelo contrário, que eu reconhecia o mal que fizera e que declarava a minha intenção de não o repetir.
Desde essa altura, já fiz muitas outras coisas erradas. Embora nunca mais tivesse pegado no martelo para “refazer” outras peças de mobiliário, usei outras coisas para “martelar” pessoas. Usei a marreta do ridículo, o martelo com unha da culpa, a maça do insulto. Para falar a verdade, já usei todos os tipos de malhos, serras, formões, machados e lâminas verbais e emocionais para infligir o mal sobre outras pessoas, com ou sem intenção. Depois de ter feito o mal, não tinha maneira de o desfazer. A única força do universo com o poder de curar as feridas que causei é o perdão.
Se precisar de pedir perdão a alguém, é bom que não se esqueça que o mero facto de o pedir não significa que o irá receber. A outra pessoa poderá precisar de tempo para sarar antes de estar preparada para perdoar. Ou poderá nunca mais confiar em si. Lembre-se sempre que, embora o perdão seja gratuito, a confiança tem de se ganhar.
É importante que o pedido de desculpas inclua: (1) verdadeiro arrependimento por aquilo que fez; (2) desejo de, se possível, recompensar a pessoa lesada; e (3) empatia para com a pessoa por aquilo que a fez passar. Quando essa pessoa sente que o pedido de desculpas é sincero, isso torna mais fácil perdoar.
O perdão é um caminho que vale a pena percorrer. Perdoe aqueles que o “martelaram” no passado. E peça desculpas àqueles a quem “martelou” – com ou sem intenção.

Dick Tibbits
Psicólogo e Vice-Presidente do Spirituality and Health at Florida Hospital