TRATAMENTOS NATURAIS

Úlcera gastroduodenal

A úlcera gastroduodenal é uma erosão da parede gástrica ou duodenal que pode afetar diferentes planos da mesma.

Sintomas e diagnÓstico
Dor que o doente assinala em si mesmo com um ou dois dedos num ponto um pouco abaixo do final do esterno, aparece entre duas a quatro horas depois das refeições e atenua-se com uma nova ingestão de alimentos. Pode dar-se durante todo o ano ou em pequenos surtos na primavera e no outono.
A úlcera gastroduodenal diagnostica-se através dos sintomas apresentados, de exame radiológico ou endoscópico.

Fatores predisponentes
Quando existem fatores hereditários predisponentes, perante o stresse, o organismo reage produzindo espasmos nas arteríolas, o que provoca a falta de irrigação numa zona da mucosa gástrica ou duodenal, facilitando a lesão e o desenvolvimento da úlcera. A situação agrava-se com a presença do ácido clorídrico que irrita a ferida, esta irritação estimula uma secreção ácida mais intensa e assim se produz um círculo vicioso.

Fatores desencadeantes
A úlcera gastroduodenal costuma ser consequência de um estilo de vida errado, e em especial de uma alimentação inadequada, com consumo excessivo de proteínas, gorduras e sal; o uso e abuso de tóxicos; um controlo inadequado do stresse.

Tratamento fÍsico
Repouso na cama durante três a quatro semanas.
Compressas de sementes de linho ou cataplasmas de argila no ventre, durante várias horas por dia, se se suportam bem.
Envoltórios frios nos rins e compressas frias no estômago e no ventre.
Depois de três ou quatro semanas de tratamento, banhos e massagem com escova a seco, lavagens a temperaturas alternadas.
Na quarta semana, jatos a temperaturas alternadas, jato fulgurante, banhos completos e fricções por todo o corpo.
Uma vez curada a úlcera, devem evitar-se os tóxicos (álcool, tabaco, café…), ter o repouso adequado e uma alimentação correta, além de seguir os tratamentos hidroterapêuticos e de fazer exercício para fortalecer a constituição e eliminar a tendência à recidiva.

Tratamento psicolÓgico
Dado que a úlcera também é uma doença psicossomática, se queremos que o tratamento seja eficaz, deve-se diminuir o stresse através de uma profunda e radical mudança no estilo de vida.
Para o conseguir, o leitor fará bem em consultar a obra do doutor Julián Melgosa, da coleção Novo ESTILO DE VIDA, Sem Stresse!, editado pela Publicadora SerVir, onde se explica como controlar o stresse.

Tratamento dietÉtico
Em geral, e salvo indicação médica para cada caso individual, podem estabelecer-se as seguintes normas para o tratamento dietético das úlceras gastroduodenais:
Primeira fase: 1 º ao 7º dia
Um dia de jejum, com infusões de menta (Mentha piperita L.), camomila (Matricaria chamomila L.), ou sumo de cenoura diluído.
Seis dias com sumos (diluídos com 50% de água, ou mais, para que não produzam nenhuma irritação), leite (podem acrescentar-se bananas maduras na forma de batido) e papas ou sêmolas (de arroz, milho, trigo, aveia, cevada ou centeio, ligeiramente temperadas com sal marinho ou adoçadas com mel).
Fazer cinco refeições diárias (às 8:00, 11:00, 14:00, 17:00 e 20:00).
Para regular as evacuações, administrar enemas mornos de macela (Anthemis nobilis L.).
Segunda fase: 8º ao 17º dia
À dieta anterior acrescenta-se puré de batata, azeite, gema de ovo, nata líquida e flocos de cereais.
Comem-se ameixas secas demolhadas e óleo de linhaça ou sementes de linho para regular as defecações.
Terceira fase: 18º ao 27º dia
Completar a dieta com verduras e hortaliças tenras cozidas, alimentos frescos picados e cenoura ralada muito fininha.
Se se tolerarem bem as três fases da dieta, passa-se gradualmente à alimentação vegetariana permanente.
É necessário comer tudo bem mastigado e insalivado.

Alimentos proibidos
ulcgEnquanto durar o tratamento dietético devem suprimir-se completamente as carnes e os peixes, e sobretudo os enchidos, os fumados, os salgados e os picantes; as gorduras animais ou sólidas e os fritos; os doces, os pastéis e os bolos, por serem preparados com farinha branca refinada, as gorduras e o açúcar; as leguminosas e os rabanetes; os tóxicos (álcool, tabaco, chá, café, mate) e as bebidas gasosas; as bebidas ou comidas demasiado frias ou demasiado quentes.

MedicaÇÃo, geoterapia e fitoterapia
Ingestão de argila para neutralizar a acidez.
Infusões de camomila (Matricaria chamomilla L.), de ação antiespasmódica e anti-inflamatória.
Alcaçuz-de-pau (Glycyrrhiza glabra L.), para estimular a circulação; morder dois ou três pauzinhos de uns 8-10 centímetros de comprimento, de grossura média, depois das refeições.
Medicamentos do tipo cimetidina, ranitidina e seus derivados, ou antibióticos quando a úlcera for de origem bacteriana, sempre, é claro, por receita médica.

Tratamento cirÚrgico
A intervenção do cirurgião pode estar indicada perante complicações como:
Perfuração da úlcera, o que provoca a saída do conteúdo (restos de comida, suco gástrico, bílis) para a cavidade peritoneal. Isto produz uma peritonite aguda, com forte dor abdominal, vómitos, taquicardia e risco de colapso.
Hemorragia que se produz quando a erosão chega à parede de uma veia ou artéria que sangra para o tubo digestivo e se exterioriza na forma de:
> hematémese: vómitos de sangue mais ou menos negro, segundo o grau de digestão; melenas: fezes de cor negra brilhante, fedorentas e pegajosas, que lembram o pez ou o alcatrão. Se a hemorragia for importante será necessária uma transfusão de sangue.
Estenose ou estreiteza, que aparece ao cicatrizar a úlcera com fibrose, deixando uma zona fibrosa. Se está perto do piloro (orifício de saída do estômago), dificulta-se o esvaziamento normal do estômago. Produzem-se vómitos frequentes e desnutrição.


Ernst Schneider

Médico

Adaptado da obra em dois volumes A Saúde pela Natureza, vol. 2, pp. 116-118, editado pela Publicadora SerVir.