LONGEVIDADE E SAÚDE

Exercício Físico como elemento estimulante para o Sistema Nervoso

Durante os últimos anos, o mundo passou por uma grande explosão tecnológica. Embora os computadores já existissem, pouquíssimas pessoas tinham uma noção clara e definida de que o acesso à internet e aos sistemas operativos estariam ao alcance de todos. O telefone fixo deu lugar ao telemóvel. A telefonia evoluiu de uma caixa pesada e grande para um pequeno e portátil computador com a mais avançada tecnologia e, para os anos que se avizinham, a tecnologia promete ainda maiores avanços! Para além de todos esses desenvolvimentos, o cérebro humano continua a ser uma máquina imbatível. O sistema nervoso é um dos sistemas mais complexos. Nele se concentram todas as atividades de comando do nosso corpo. É também a partir do sistema nervoso que se desencadeiam as interações com o mundo ao nosso redor. A enorme complexidade do nosso sistema nervoso não está somente na coordenação das nossas funções corporais, mas também na coordenação do nosso desenvolvimento como pessoa única, das nossas emoções e das nossas interações sociais. O sistema nervoso é constituído pelo cérebro, pelo cerebelo, pela medula espinhal, pelo bolbo raquidiano e por um enorme conjunto de ramificações que constituem uma complexa cadeia de ligações nervosas, todos ligados à medula espinhal que, por sua vez, está ligada ao cérebro. Esses nervos percorrem todo o nosso corpo, até às suas extremidades mais periféricas, enviando e recebendo informações para o bom desempenho das nossas funções corporais. Há algum tempo, o conceito popular era de que as pessoas que faziam muito exercício físico ficavam com atrofia cerebral. Estudos muito sérios, como os de Bullit, Katz e Bonito, publicados na revista científica RSNA de 2008, apontam para o exercício físico como agente fundamental na irrigação sanguínea do cérebro, mesmo nos vasos mais finos, desencadeando assim um maior desenvolvimento cerebral, comparado com idosos sedentários. Equipas de pesquisadores no campo da neurologia em todo o mundo têm dedicado esforços cada vez maiores para compreender como o exercício físico poderá proporcionar benefícios ao sistema nervoso central. Cada vez mais se tem observado que os benefícios abrangem uma esfera muito maior do que se esperava. O exercício não beneficia somente a parte física funcional, mas também atua na expansão das capacidades cognitivas, na memória e no humor. Tudo isso graças à estimulação na produção de hormonas provocada pelo exercício. É por esse motivo que estudiosos nas áreas da doença de Alzheimer e de outras doenças do campo da neurociência têm dedicado atenção especial a esse assunto. O neurocientista Ben Martynoga publicou um artigo no jornal inglês The Guardian, em 18 de junho deste ano, onde revela que estudos controlados mostram que o hipocampo cresce quando estamos em boa forma física, e o tipo de exercício que melhor resposta deu nesta investigação foram os exercícios aeróbicos. Esses estudos incluíram crianças, adultos e idosos, e em todas essas faixas etárias o resultado foi o mesmo. Assim vemos que o exercício físico pode, de facto, ajudar no bom desenvolvimento físico do nosso sistema nervoso e os benefícios poderão alcançar a nossa saúde mental e emocional. Vale a pena deixar o fato de treino bem transpirado e os ténis gastos!

Luciano da Silva
Gerontólogo Social